domingo, junho 25

prefiro voar

O amor é uma casa vazia que se vai enchendo aos poucos. É uma curva perigosa na qual só saímos vivos se soubermos conduzir os nossos sentimentos. Coloca os pés no chão, e não voes sempre. Alguém me disse isto um dia e eu preferi ignorar, como teimo em ignorar todas as palavras que não vão de encontro ao que eu sou. Sofro deste mal. Prefiro voar, voar sempre. Prefiro conduzir-me no silêncio das altitudes. Teimo em sair da minha zona de conforto a bater as asas. Volto sempre mas vou. E foi nas altitudes que te encontrei. Somos tão pequenos dentro deste mundo que às vezes penso na razão que levou-nos a tropeçar um no outro. Mas acabámos por voar juntos nesta aventura, sem reconhecer os nossos limites, sem se quer questioná-los a nós próprios. Existem limites que nunca vamos conhecer, o do amor é um deles. Limites que se podem tornar erros, erros que podem ultrapassar todos os limites. Somos a eterna aventura um do outro. Tu e eu. Quão maior pode ser este erro? Quão maior pode ser a minha vontade de errar, todos os dias, contigo?

domingo, abril 23

instantes

Torná-mo-nos nos instantes mais bonitos do mundo. Nos instantes mais leves. Torná-mo-nos no tempo que nos levou e que agora é nosso. Torná-mo-nos no mais bonito minuto da despedida, no mais bonito minuto da minha cabeça no teu peito, no mais bonito minuto da respiração que me arrepia o pescoço. Somos as palavras que são ditas entre os nossos olhares. Somos os momentos que construímos no meio da nostalgia. Somos os lábios que se tocam novamente na mais pura excitação do reencontro. Somos a pele arrepiada que se deixa levar pelo instante. Somos o relógio na hora certa. Somos o choque dos números na nossa matemática. Somos as palavras cruzadas que tentam descobrir. Somos o silêncio da madrugada que nos envolve. Somos a música que nos faz chorar. Somos a leveza das lágrimas de felicidade. Torná-mo-nos, e somos, nos instantes mais bonitos do mundo, nesses onde ainda reside o amor. O nosso.